A pandemia de Covid-19 e o dilema entre a vida e a eleição: A coragem de fazer o certo

    Esse é o nosso primeiro texto e peço desculpas pela extensão. Prometo que a partir dos próximos, seremos mais leves e amenos, mas nosso assunto de hoje é pesado e indesejado mesmo, porém impossível de não ser tratado. 

Conforme previram especialistas desde o início da pandemia (e eles conhecem o comportamento de um vírus), a “segunda onda” da pandemia chegou com muito mais violência e intensidade. O vírus, essa coisa que se modifica, como todo parasita, para sua própria sobrevivência em novos hospedeiros, circulou, se fortaleceu, transmutou-se em novas variantes e hoje acomete jovens, adultos, idosos e até crianças com quase a mesma força.

    A inércia das autoridades federais e a inabilidade em buscar vacinas, único caminho para sair de qualquer surto de doença grave, somadas a um negacionismo irracional capitaneado pelo próprio Presidente da República, que classificou a doença do novo Corona Vírus como uma “gripezinha ou resfriadinho” e a uma limitação financeira dos governos estaduais (o governo federal fica com 64% da arrecadação total do país), nos trouxe ao patamar de mais de 2300 mortes por COVID19 em um único dia.

    De repente, aqueles que acreditavam não haver mais pandemia (porque a curva de contágio caiu enquanto as novas variantes apareciam), começaram a ver pessoas conhecidas, algumas próximas e até familiares serem contaminados e infelizmente não resistirem. Aqui uma pausa para manifestar as condolências da coluna pelos mais de 270 mil mortos, em especial os paraibanos, dos quais infelizmente conhecemos muitos.

    As autoridades, municipais e estaduais, sem apoio do Governo Federal para conscientizar a população, pressionadas pela crise econômica e a recessão que desde antes da pandemia já se apresentava, se veem mais uma vez diante do dilema: ECONOMIA OU VIDAS. 

Os que dependem da livre circulação de pessoas, de festas e eventos, têm me questionado, às vezes até com raiva do governador e do prefeito, porque não se deixam realizar eventos, sob o argumento do “vai quem quer”. Eu sei que a barriga e as contas não esperam! 

    O problema, meus caros leitores, é que ir para uma festa, para uma missa ou culto, não contamina só aquelas pessoas! Elas se contaminam, na maior parte das vezes são assintomáticas ou tem sintomas leves, vão ao supermercado, usam o transporte coletivo, usam o caixa eletrônico, vão ao trabalho e assim espalham o vírus e contaminam pessoas que vão morrer por este vírus maldito.

    Me perguntam: sim, mas e os bares e restaurantes? Alguém acredita mesmo que depois de beber, alguém se lembre de cuidados e distanciamento social? Óbvio que não! E as Igrejas? Porque fechar as Igrejas? Primeiro, as Igrejas em momento algum foram fechadas! Foram proibidas as aglomerações geradas por missas e cultos, inclusive por culpa de alguns falsos profetas que envergonham suas religiões e promovem verdadeiras sessões de arrecadação em lugar de prestar o socorro espiritual às pessoas.

    Inclusive as Igrejas e templos podem estar abertas e seus responsáveis livres para cuidar de seus fiéis. Agora se tem quem só faça isso quando está recebendo, aí me perdoem, não é Igreja, é comércio. E ilegal que não paga imposto…

    Infelizmente, a realidade que se apresentou no mundo é essa: ou paramos ou morrerão cada vez mais pessoas. Serão pais, mães, avós, irmãos, primos, amigos, conhecidos e desconhecidos. João 

    Obviamente que nenhum gestor público deseja ou quer fechar comércio, empresas ou impedir qualquer atividade econômica. Inclusive é dos impostos da atividade econômica que os entes públicos arrecadam e realizam suas obras, fundamentais para a política. Ao contrário do Governo Federal, muito menos afetado pela queda de arrecadação, Estados tem o ICMS como principal fonte de arrecadação e quando as empresas não vendem, o Estado não arrecada!

    Da mesma forma, as Prefeituras que tem o ISS (Imposto sobre serviços) como principal fonte de renda autônoma, estão diante de uma drástica redução na arrecadação. Estado e Prefeitura, além dessa queda, ficam com a responsabilidade de abrir leitos, contratar profissionais e tentar manter a atividade econômica em patamar ao menos mínimo, uma equação praticamente impossível de ter 100% de sucesso. 

    Mas é neste momento que conhecemos as verdadeiras intenções e caráter de nossos gestores. O governador João Azevedo, às portas de sua reeleição em 2022, numa atitude de extrema coragem e desprendimento, vem ignorando solenemente qualquer prejuízo político que porventura tenha para tentar salvar vidas. De forma tranquila e serena, tem adotado medidas necessárias para restringir a circulação do vírus e evitar o colapso iminente do sistema de saúde. É óbvio que a partir do momento que pessoas começarem a morrer nas recepções de hospitais, sem conseguir ao menos um leito, serão o Estado e as Prefeituras responsabilizados por este quadro de horror.

    Igualmente, a Prefeitura de João Pessoa, age rapidamente abrindo leitos, contratando profissionais, determinando ações de assistência social, com ações conjuntas com o Governo do Estado e de forma isolada no âmbito de sua competência privativa, num esforço hercúleo do Prefeito Cícero Lucena, do Vice Prefeito Leo Bezerra e da Secretaria Municipal de Saúde para não deixar desassistida a população de João Pessoa e de toda a região metropolitana, pois não esqueçamos que é a nossa Capital que recebe a demanda não suportada pelas cidades vizinhas e até mais distantes.

    Na contramão da situação, o Prefeito de Campina Grande, prefere o discurso fácil de “preservar empregos”, porém, como a realidade é mais dura que a sua ficção, hoje, 12.03, foi obrigado a praticamente copiar o decreto estadual que restringe, corretamente a circulação de pessoas. 

    A bem da verdade, não é hora de politicagem. Pessoas estão morrendo sem ar, já parou pra pensar nisso? Experimente prender sua respiração pelo tempo que suportar e sinta, só um pouco, a agonia da falta de ar. É fato que a falta de emprego, de alimento e de renda também mata. Não se ignora isso! Contra esses problemas é que tanto Estado quanto Prefeitura tem anunciado medidas de auxílios, dentro de suas possibilidades, pois repita-se, a cada 100 reais arrecadados no país, 64 ficam com o Governo Federal.

    Os que criticam os gestores que agora adotam medidas de restrição, daqui a alguns meses, reconhecerão o que o Governador João Azevedo está fazendo. Vejam bem: o governador está deixando sua reeleição de lado para tentar salvar o máximo de vidas! Para os opositores, isso pode ser pouco. Mas para qualquer cidadão com a mínima consciência crítica, percebe-se que é um gesto de grandeza. 

    Em João Pessoa, Cícero e Léo Bezerra se revezam numa maratona de abertura de leitos, expansão da rede de saúde, captação de recursos em Brasília, numa corrida contra os efeitos danosos desta maldita doença. Deixam de lado inclusive os riscos à própria saúde. Aqui abra-se um parêntese para o Secretário de Saúde Fábio Rocha, que pode até não ter sido feliz com algumas palavras, mas tem trabalhado incansavelmente para não deixar ninguém sem assistência de saúde.

    Fábio Rocha é o super sincero, aquele que fala a verdade, fala o que pensa e deixa claro que está pensando em salvar vidas e cumprir o juramento de Hipócrates. Cícero e Léo vem ouvindo todos os segmentos, tentando achar soluções e medidas, além de terem montado uma mega estrutura de vacinação na cidade.

    A nós, caros amigos e amigas, cabe ajudar com a mínima circulação. Ajudar os pequenos negócios comprando neles, ajudar aqueles amigos mais necessitados nesse momento de pandemia. Literalmente dividir o pão e tentar ajudar os mais humildes e necessitados. Precisamos impedir a circulação do vírus e permitir que o sistema de saúde se alivie, para que possamos perder o mínimo de vidas.

    E ao Presidente Bolsonaro, chegou a hora de ser mandatário da nação e não somente dos seus seguidores. Comprar vacina, defender a mínima circulação de pessoas. Espero que ele tenha percebido que quanto mais durar a pandemia, pior para sua reeleição, que é o que o preocupa. Não devia, mas vou ajudar: se parar agora e o vírus parar de circular, comprar vacina e não deixar brasileiro morrer na rua, fica mais fácil pra se reeleger ano que vem. Quanto mais mortes e pessoas doentes, maior será a raiva que as pessoas descontarão nas urnas em 2022. 

    Ao invés de ameaçar golpe com as Forças Armadas (o que certamente não ocorrerá e se ocorrer será rechaçado em horas pelo povo e pelas grandes potências mundiais – Bolsonaro não tem um país aliado militarmente relevante), use as nossas bravas Forças Armadas para socorrer os brasileiros. Trabalhe com os Governadores e Prefeitos ao invés de guerrear com eles. Toda guerra termina por onde devia ter começado: pela PAZ. É isso que esperamos e precisamos! Que Deus nos abençoe. 

Por Flávio Moreira

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