Comissão da Pessoa com Deficiência da ALPB promove debate sobre feminismo e luta por reconhecimento

Na manhã desta sexta-feira (23), foi realizado o debate que reuniu professoras, políticas, ativistas, donas de casa, entre outras mulheres com algum tipo de deficiência, nos canais virtuais da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). A roda de diálogo foi promovida pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e abordou o tema Mulher com deficiência e feminismo: a luta por reconhecimento. 

Onze mulheres debateram sobre os desafios profissionais, sociais e afetivos que enfrentam cotidianamente, por possuírem algum tipo de deficiência. “A fala de cada uma foi muito rica: reflexões sobre violências patrimonial e física, dificuldade de comunicação, tabu relacionado à sexualidade. A luta das Pessoas com Deficiência precisa incluir a pauta feminista, e as lutas feministas precisam incluir a pauta das PcD”, disse a deputada Cida Ramos, presidente da Comissão.

A vereadora do município de Araçagi Ana Kelly Nunes, primeira pessoa surda a ocupar o cargo na Paraíba, contou sua experiência com a falta de acessibilidade na Câmara onde atua. “Nós não tínhamos intérprete, os demais vereadores achavam que não era necessário. Na Câmara de Vereadores é muito similar ao que acontece com as mulheres surdas em muitos outros espaços”, disse.

Susy Belarmino, presidente do Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência da Paraíba, e Marina Felismina, pedagoga e funcionária pública, relataram histórias recorrentes na vida de mulheres cegas. Ambas, como mães, viveram a experiência de terem suas gravidezes questionadas por possuírem deficiência visual. “A agenda feminista ainda não encontrou as causas das mulheres com deficiência”, acrescentou Susy.

Elisângela Araújo, membro da Associação de Surdos de João Pessoa, falou da dificuldade de comunicação imposta pelos espaços públicos. “Alguns consultórios médicos nem aceitam intérpretes de Libras”, disse. Carolina Vieira, coordenadora do Fórum Paraibano de Luta da Pessoa com Deficiência explicou que, assim como para as mulheres quilombolas e indígenas, é necessário fazer recortes dentro das pautas feministas para as mulheres com deficiência. 

A transmissão contou com tradução simultânea em Libras e teve a mediação da professora doutora Anita Leocádia, coordenadora do Nipam/UFPB. Também participou do debate Mércia Morais, advogada, membro da Comissão de PcD da OAB e coordenadora do Movimento de Mulheres com Deficiência da Paraíba (MUDE).

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