Política

Presidente da Câmara de Bayeux anuncia drástica redução de cargos comissionados e medidas contra vereadores “para evitar tragédia”

A presidente da Câmara Municipal de Bayeux, vereadora Jays de Nita, anunciou uma série de medidas administrativas e jurídicas diante de episódios de tumulto registrados durante sessões do Legislativo. Segundo a parlamentar, as providências têm como objetivo “evitar que a Câmara se transforme em um cenário de guerra”.

Decisão judicial

De acordo com a presidente, parte das críticas e ataques que vem sofrendo, incluindo ameaças de cassação por vereadores de oposição, estaria relacionada à sua decisão de cumprir determinação judicial que impôs a redução de cargos comissionados nos gabinetes.

A medida foi determinada pelo juiz Francisco Antunes, da 4ª Vara Mista da Comarca de Bayeux, que ordenou a drástica diminuição dos cargos comissionados vinculados aos vereadores.

Aos 25 anos, a presidente afirmou que, mesmo diante de pressões políticas, optou por cumprir integralmente a decisão da Justiça. “Dinheiro do povo é sagrado”, declarou. Jays citou ainda a máxima do ex-governador Ronaldo Cunha Lima: “Política é sacerdócio, não negócio”, ressaltando que seguirá a determinação judicial, ainda que isso lhe custe o comando da Casa.

“Vereador selvagem com uma mulher na presidência”

A presidente informou que fará representação junto à Polícia Civil e ao Ministério Público após os episódios registrados na sessão da última quinta-feira (19).

Segundo relato da parlamentar e de servidores presentes, o vereador Nildo da Casa Branca teria ocupado, sem autorização, uma cadeira na Mesa Diretora, tomado o assento do vice-presidente e se recusado a deixar o local, mesmo após determinações da Presidência e do 1º secretário.

Testemunhas afirmam que o vereador teria se valido do porte físico avantajado e declarado que “não tinha homem” para retirá-lo da cadeira.

Para Jays de Nita, a conduta foi “lamentável” e pode configurar irregularidade, além de criar um precedente perigoso dentro do Parlamento. Ela também mencionou episódios históricos da política paraibana marcados por violência, citando o caso envolvendo os então deputados estaduais Afrânio Bezerra e Marcos Odilon.

“Sou pacifista e contra a violência. Não posso aceitar que a Câmara vire um cenário de guerra. Quando o saudoso vereador Adriano Martins presidia os trabalhos, esse vereador falava fino. Comigo na presidência, por eu ser mulher, ele quer usar da força bruta. Não conseguirá”, declarou.

Representação por crime contra a honra

A presidente anunciou ainda que apresentou representação ao Ministério Público contra o vereador Adriano do Táxi, por suposto crime contra a honra de funcionário público no exercício da função.

Durante a mesma sessão do dia 19, Adriano do Táxi — que teve sua eleição para a presidência do biênio 2027/2028 suspensa por decisão judicial — afirmou que Jays estaria cometendo crime de prevaricação.

Segundo a presidente, as ações e acusações feitas por parte dos parlamentares teriam sido articuladas em reação à sua recusa em descumprir a decisão judicial que determinou a redução dos cargos comissionados.

A crise política na Câmara de Bayeux segue em escalada, e novos desdobramentos podem ocorrer nos próximos dias.

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