Ministério da Saúde vai suspender uso da vacina do Butantan contra a dengue
O Ministério da Saúde anunciou neste segundo dia (8) a suspensão temporária da aplicação da vacina do Butantan contra a dengue em todo o país. Uma medida, segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi adotada preventivamente para permitir uma investigação detalhada sobre possíveis eventos adversos relacionados à imunização.
Segundo o ministro, foram registrados dois casos de morte e um terceiro caso grave após a vacinação. Apesar dos acontecimentos, o Ministério ressaltou que, até o momento, não há conhecimento direto da relação entre a vacina e os casos graves identificados.
“Não existe causalidade verificada entre a vacina e esses três casos graves, mas eles representam um sinal de alerta que precisa ser investigado com profundidade”, disse Alexandre Padilha.
Além dos casos mais graves, o Ministério da Saúde informou que recebeu 42 notificações de reações adversas consideradas mais severas. Segundo Padilha, algumas dessas ocorrências foram classificadas como inesperadas, uma vez que não foram registradas durante os estudos clínicos das fases 1, 2 e 3 realizados antes da aprovação do imunizante.
Investigação e análise de aplicação e logística de vacinas
O ministro destacou que a suspensão temporária segue o princípio da precaução e permite uma análise completa das notificações registradas.
Segundo ele, a investigação avaliará diversos fatores, incluindo as condições de armazenamento da vacina, a cadeia de frio, os procedimentos da logística, a aplicação das doses e o acompanhamento dos pacientes que receberam ou imunizaram no mesmo período.
“A suspensão é uma medida cautelar que deve orientar sempre quem respeita a vida. O objetivo é aprofundar a investigação dos 42 casos registrados e dos episódios mais graves para identificar qualquer possível causa”, explicou.
Mas as 500 mil doses já foram aplicadas
Dados do Ministério da Saúde indicaram que 501.044 doses da vacina foram aplicadas desde o início da campanha.
A imunização foi incorporada ao Programa Nacional de Imunização em janeiro deste ano e começou a ser aplicada como piloto nos municípios de Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP).
Posteriormente, a vacinação foi estendida aos profissionais de saúde. A vacina foi destinada a pessoas com idade entre 15 e 59 anos.
Casos graves estão sob análise
Entre os casos graves investigados pelo Ministério da Saúde estão duas mulheres, de 39 e 48 anos, e um homem de 58 anos.
Segundo a massa, uma mulher de 48 anos apresentou sintomas 19 dias após receber a vacina e evoluiu para óbito. Já o homem de 58 anos retornou quadro febril cinco dias após a imunização e também morreu.
As autoridades sanitárias confirmaram que as investigações seguiriam em andamento para esclarecer as circunstâncias dos casos e verificar se existe qualquer relação entre os eventos adversos e a aplicação da vacina.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também participa do processo de análise em conjunto com o Ministério da Saúde.



