PESQUISA QUAEST – ‘Tarifaço empurra eleitor de centro para colo de Lula’; para 72% dos brasileiros, Trump erra ao taxar Brasil alegando perseguição a Bolsonaro

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (16) mostra que o confronto com o presidente Donald Trump ajudou o governo Lula a recuperar a popularidade, segundo Felipe Nunes, diretor do instituto.
Os dados mostram que a aprovação de Lula (PT), que vinha em queda desde janeiro, e reprovação, que vinha em alta desde outubro, mudaram de direção:
- 43% aprovam a Lula, uma oscilação positiva de três pontos percentuais em relação a junho.
- 53% desaprovam Lula, uma oscilação para baixo de quatro pontos, no limite da margem de erro.
- No Sudeste, a desaprovação caiu oito pontos, para 56% e aprovação subiu oito pontos, para 40% (a margem de erro é de três pontos nesse segmento).
- Entre quem tem ensino superior, houve queda de 11 pontos na desaprovação, para 53%, e alta de 12 na aprovação, para 45% (margem de quatro pontos).
- Entre quem ganha de dois e cinco salários mínimos (R$ 3 mil e R$ 7.590) por mês, houve oscilação positiva de quatro pontos na aprovação, para 52%, e negativa de quatro pontos na desaprovação, para 43% (margem de três pontos)
Em relação às preferências políticas, Nunes aponta que a melhoria na avaliação de Lula aconteceu entre os eleitores que dizem que não têm posicionamento: a desaprovação, que vinha em alta, oscilou sete pontos para baixo, dentro da margem de erro, índice semelhante ao de janeiro. A aprovação, que vinha em queda, oscilou cinco pontos para cima, chegando a 38% (margem 4).
O que causou a melhora na avaliação de Lula, segundo a Quaest
Para Nunes, foi o embate com Donald Trump que melhorou a avaliação de Lula. A percepção sobre a economia e a campanha do governo em prol da taxação dos super-ricos tiveram efeitos menores.
O levantamento mostrou que 77% dos eleitores que dizem não ter posicionamento político acreditam que Trump está errado em impor taxas ao Brasil por acreditar que Bolsonaro está sendo perseguido. O percentual é menor, mas ainda alto, entre os que se dizem de direita (52%) e mesmo entre os bolsonaristas (48%).
A pesquisa indicou, também, que a maior parte dos brasileiros defende que Lula está se saindo melhor que Bolsonaro (44% a 29%).
Já a percepção da situação econômica mudou pouco em relação a junho: a parcela dos que acham que piorou oscilou dois pontos para baixo, para 48%; e a dos que acham que melhorou, três pontos para cima, e chegou a 21%.
Já a campanha do governo Lula para defender a tributação dos mais ricos – medida apoiada por 60% da população – teve pouco efeito, segundo Nunes, pois
- menos da metade (43%) dos brasileiros ficou sabendo dela e 17% viram os vídeos feitos com inteligência artificial feitos pelo governo;
- E a maioria (79%) acredita que o conflito com o Congresso é prejudicial Brasil. “As a forma como [a campanha do governo] foi conduzida parece ter produzido uma opinião mais negativa que positiva nas pessoas”, afirma Nunes.




