Política

TCE expõe negligência com dinheiro público: obras de creches paralisadas ou atrasadas em Duas Estradas, Caldas Brandão, Conde e Cacimba de Dentro

Um levantamento divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) escancara o cenário de descaso e má gestão com obras públicas em diversos municípios paraibanos. Creches paralisadas, obras atrasadas, pagamentos milionários sem contrapartida efetiva e estruturas que deveriam estar acolhendo crianças, mas que seguem abandonadas ou inacabadas. Os alvos da vez são as prefeituras de Duas Estradas, Caldas Brandão, Conde e Cacimba de Dentro.

A reportagem do Portal Brejo News teve acesso a dados oficiais que revelam a profundidade da crise: dinheiro público jorrando em contratos sem fiscalização eficiente, enquanto milhares de crianças seguem sem acesso a creches, e famílias continuam sem o suporte fundamental para educação e acolhimento infantil.


Duas Estradas: zero de obra, mais de R$ 826 mil pagos

Em Duas Estradas, a creche do Loteamento Cidade Alta deveria estar em ritmo acelerado desde julho de 2022. Mas o que se viu até agora foi 0% de execução física, segundo o próprio TCE-PB. Ainda assim, R$ 826.452,06 já foram pagos à empresa contratada. A obra, que custaria R$ 906 mil, deveria atender dezenas de crianças com estrutura padrão Tipo A.

Realidade: terreno parado, nenhuma atividade visível, enquanto os cofres públicos seguem sendo esvaziados. Uma afronta à população e uma pergunta sem resposta: onde está o dinheiro?

DUAS ESTRADAS


Caldas Brandão: mais de 100% do contrato pago… e obra paralisada

No município de Caldas Brandão, a creche orçada em R$ 1.114.867,96 também aparece como paralisada, embora as planilhas financeiras apontem execução de 103%, com pagamentos que já somam R$ 1.223.407,73. Ou seja, mais dinheiro do que o contrato previa já foi transferido, e o prédio que deveria abrigar 100 crianças segue sem funcionar.

É inadmissível que uma obra que já consumiu mais de R$ 1,2 milhão esteja parada. A população cobra respostas, o TCE expôs o problema, mas a gestão ainda não ofereceu uma justificativa aceitável.

CALDAS BRANDÃO


Conde: obra dada como “finalizada” está longe de funcionar

No Conde, a construção da creche no bairro Gurugi tinha previsão de conclusão para dezembro de 2024. Os dados mostram que apenas 72% da obra foi executada, mas ela já consta como “finalizada por conclusão de construção”, com recebimento datado para fevereiro de 2025.

Estamos em julho de 2025, e até agora a creche não foi entregue à população, segundo denúncias locais. Mais um caso onde os documentos oficiais contam uma história e a realidade expõe outra: a de um prédio inacabado, sem funcionamento, e com mais de R$ 600 mil já pagos.

CONDE


Cacimba de Dentro: obra quase pronta, mas já em atraso

Em Cacimba de Dentro, a creche iniciada em fevereiro de 2023 deveria ter sido concluída em 31 de dezembro de 2024. A execução física já alcançou 98%, e R$ 1.033.696,88 foram pagos — praticamente todo o valor do contrato. No entanto, a obra ainda não foi entregue à população.

O que falta para entregar os 2% restantes? Por que a população segue sem acesso à creche? É a pergunta que os moradores fazem, enquanto a placa da obra segue prometendo um prazo que já expirou.

CACIMBA DE DENTRO


Descaso com a primeira infância

Essas obras não são meros projetos. Elas representam o futuro de crianças, o direito de mães e pais trabalhadores, e a obrigação mínima do poder público em garantir dignidade educacional e social.

O TCE fez seu papel, apontando os problemas. Agora, cabe aos gestores municipais darem explicações públicas e responderem pelas irregularidades com transparência e urgência.


Conclusão: o que falta não é dinheiro, é gestão

Com recursos repassados, contratos assinados e prazos expirados, o que se escancara é a irresponsabilidade administrativa. A população de Duas Estradas, Caldas Brandão, Conde e Cacimba de Dentro tem o direito de saber por que milhões de reais foram pagos e as obras seguem sem funcionar.

O jornalismo segue atento. Porque onde falta creche, sobra omissão. E o povo não pode mais pagar a conta da ineficiência pública.

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